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Regra

Deepfake na eleição: onde está a linha entre montagem e fraude

Nem toda imagem sintética é deepfake, e nem todo deepfake é ilícito. O que define é o que a peça afirma sobre a realidade.

11 de agosto de 2026 · 6 min de leitura

"Deepfake" virou palavra guarda-chuva para qualquer imagem feita por computador. Isso atrapalha, porque a regra não trata todas do mesmo jeito.

Três coisas diferentes

TipoO que fazSituação
Composição identificadaJunta elementos, avisa que é montagemPermitida com identificação
Sintético não identificadoParece foto, não avisa nadaIrregular por omissão
Deepfake enganosoSimula pessoa real dizendo ou fazendo o que não fezGrave

A tecnologia é parecida nos três. O que muda é o que a peça afirma.

O critério prático: a peça afirma um fato?

Uma imagem do eleitor ao lado do candidato, com selo de IA visível, não afirma que houve encontro. Afirma que existe uma montagem, e diz isso na cara.

A mesma imagem, sem identificação e com a legenda "no evento de ontem", afirma um fato falso. A imagem não mudou. A afirmação mudou.

A pergunta a fazer sobre qualquer peça: se o eleitor acreditar literalmente no que está vendo, ele acreditou em algo falso?

Os três lugares onde campanhas escorregam sem querer

1. Cenário específico demais. Fundo genérico de cidade não afirma nada. A fachada reconhecível de um evento, uma data no palco, um cenário que só existiu naquele comício. Isso afirma presença.

2. Terceiros na imagem. Adversário, autoridade, artista, líder religioso. Colocar pessoa real identificável numa peça sem autorização é problema em qualquer contexto, e em período eleitoral é problema maior. Vale inclusive para apoio implícito: a imagem sugere que fulano apoia.

3. Legenda que reescreve a imagem. A peça pode estar impecável e o texto do post derrubar tudo. Quem publica costuma ser o apoiador, não a campanha, e é aí que a orientação tem que chegar antes.

Voz e vídeo são território mais perigoso

Imagem parada montada é prática antiga e socialmente compreendida. Voz clonada e vídeo com movimento labial sincronizado não são. A percepção de fraude é imediata, e a defesa é muito mais difícil.

Recomendação simples: campanha não clona voz de ninguém. Nem do próprio candidato. O ganho não paga o risco.

Se sua campanha for alvo

Resumo em uma linha

Montagem identificada é peça de campanha. Montagem que se passa por registro é outra coisa, e a diferença entre as duas costuma ser uma legenda.

Ressalva. Este texto é orientação prática de produção, não parecer jurídico. As obrigações de propaganda eleitoral estão em lei e em resoluções do TSE que mudam a cada ciclo, e a aplicação depende do caso concreto. Antes de rodar campanha, valide o material com o advogado responsável.

Quer isso resolvido no processo, não na revisão?

O Santinho Digital entrega a peça com identificação de IA, tarja legal e consentimento registrado, em cada foto que o eleitor gera.

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